quinta-feira, 3 de novembro de 2016

"Só é seu aquilo que você dá."


Pois é muito fácil falar somente bem dos alemães quando se tem um namorado alemão.
E é mais fácil ainda todas as pessoas ao redor deste namorado alemão te tratar super bem sem perder a paciência e a vontade de ser gentil com você. Todas essas brasileiras que exaltaram os alemães estão ai, nesse grupo. E talvez por estar nesse grupo, todos os alemães que foram grossos com elas, elas trataram como "ah, são objetivos demais, e talvez eu tenha sido errada mesma".
Eu sei muito bem diferenciar quando eles são objetivos demais e quando são grossos por não ter paciência ou por serem arrogantes demais mesmo. Eu acho muito bem-vindo a parte do objetivos demais. Isso eu aprecio muito. 
Agora onde está o objetivo demais nessa conversa: "Licença, essa exercício de casa que a senhora deu só para eles é sobre o que?" "Você vai fazer alguma prova? Vai??? Acredito que não!" "Prova? Não" "Então não é para você!" (e recolhe os papéis imediatamente). Onde está o objetivo demais nessa frase? Seria objetivo demais se a resposta fosse "É só para quem vai fazer uma prova, se você não for fazer, então não é ara você". Entende? São ataques gratuitos quando se chega com muita educação querendo informação sobre as coisas. 
Se for desejar boa tarde para alguém desconhecido na rua, essa pessoa não ai ter responder porque na mente deles é "Não te conheço, então não me deseje boa tarde". Oi? E a atendente do caixa do supermercado que me diz boa tarde sem me conhecer? Porque ela o faz então? Só porque está sendo paga para isso? Se me pagam eu faço, e se não me pagam, eu não preciso ser gentil?
E se eu desejo bom trabalho para a atendente, ela fica extremamente surpresa, parece que elas pensam "Como assim me desejou algo bom sem eu nem ao menos conhecê-la? Que estranho..."
Pessoas com muito dinheiro e que querem sempre mais, e que poderiam comprar tudo, mas são pobres de alma. E reclamam que não está totalmente bom nisso, não está totalmente bom naquilo...
Mas o bolso está sempre ali cheio. E os brinquedos são muitos, eles tem tudoooo, sério. Tanto que no aniversário da criança não tem mais o que dar. É desesperador. 
Infelizmente eles são pobres de espírito. E podem se acharem os donos do mundo, acharem que tem o melhor país do mundo. Não me interessa. Isso são valores, organização política. Mas são muito pobres em ser humano, são pobres em solidariedade em dar de si, em olhar para o próximo. Não sabem fazer isso, não tem essência nisso. Precisam aprender muito com os tais brasileiros... 
E é feio demais uma pessoa da mesma nação que a minha exaltando os alemães ou qualquer outro estrangeiro e diminuindo a sua própria nação "... já os brasileiros são....". Esse aí já virou tão arrogante quanto um alemão. E depois critica se alguém de nós vai falar bem do Brasil, pois na mente dessas pessoas, se saímos do Brasil, automaticamente devemos só falar mal dele, entretanto você não vê um americano, um francês, um russo falando mal do país dele quando sai do país de origem, vê? É idiotice demais, uma síndrome de vira-lata tamanha... 
E para terminar, aquela pessoa brasileira que critica o tal dos alemães, recebe uma resposta do brasileiro que se acha super alemão "Ah, mas se não está satisfeita com a Alemanha, vai embora daqui, ou volta para o Brasil". Nossa, sério, querida? Conte-me mais sobre isso... Então se eu não gosto das pessoas do meu trabalho, se eu não gosto dos meus vizinhos, se eu não gosto de um grupo de amigos do meu namorado; logo eu me mudo do trabalho, mesmo eu gostando da minha profissão; me mudo de bairro, mesmo eu gostando da minha casa; e mudo de namorado, mesmo eu não gostando de um grupo de amigos dele? Ai, que preguiça... "o inferno são os outros", já ouviu falar disso?
A questão aqui que quero me expressar é... que fico triste pela a Alemanha ser um país maravilhoso, as pessoas aqui não passam necessidade, e mesmo assim, tem uma amargura dentro de cada uma delas. É um não se importar com os outros, um desrespeito com o que é ser humano que eles insistem em ter sem razão nenhuma! Nenhuma!!! Não tem o porquê de ser assim, esse ataque gratuito sempre. A guerra já acabou há anos, pelamordedeus.
E o que eu faço é seguir com pessoas de corpo e alma que se importam com pessoas. Que sabem dar um sorriso de graça, que doam sem esperar nada em troca. 
E desses alemães e das pessoas que se acham super alemães, eu tenho é pena. Desprezo. 

Sorte de hoje: eu não tive uma mãe alemã e o pai dos meus filhos (se os quisesse tê-los) não será um alemão.


|l|l| clavede_su |l|l|l|

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Te quiero y gracias por existir.

Exatos 7.947,61 quilômetros e/ou 4.938,41 milhas de distancia nos separavam.
E foi quando em 06 de agosto de 2015 você aqui chegou e eu, em 08 de outubro do mesmo ano. Ambos, finalmente pisando no mesmo solo: o solo alemão.
Após eu estar no curso de alemão errado por falta de vaga no meu real módulo, tive que conversar na secretaria sobre me trocarem de sala para o próximo módulo. Consegui! Estava feliz e ansiosa por começar um curso que finalmente seria produtivo e não tedioso. 

11 de janeiro de 2016. Olhei no painel eletrônico para saber qual era a minha sala: "este: 307". Adentrei tímida, porém entusiasmada, e então, o vi. O vi com uma mão segurando o queixo, cotovelo apoiado na mesa, pensativo e com os olhos direcionados para a porta como se esperasse alguém chegar. 
O olhei e de imediato fui tomada pelo pensamento "Nossa, que loiro é esse? Bonito". Sentei. Me aconcheguei. Olhei ao meu redor e lá estava aquele loiro ainda me olhando. Pensei "De onde ele deve ser? Parece alemão, mas não é, claro... deve ser francês". Passaram-se os minutos e lá continuava ele: mão no queixo, cotovelo na mesa e me observando com olhar fixo. "Caramba, porque me olha tanto? Estou constrangida já".
"Wie heissen Sie? Und woher kommem Sie?" "Ich heisse Suellen, komme aus Brasilien und am momentan arbeite ich als Au Pair" "Oh, au pair!... Uvi ist auch Au Pair" "Ja, gut!!"
Pronto. Aquele homem já tinha identidade revelada. Também era au pair e vinha da Espanha. Um espanhol, e não francês como havia pensado. 

Deste dia em diante, Uvi sempre me olhava fixo, sempre a mesma posição com a mão segurando o queixo e o cotovelo apoiado na mesa. Todos os dias de segunda-feira a quinta-feita. Era o seu ritual. E a minha tarefa ali era saber que ele me olhava e assim ficar constrangida. 
Nas vezes que eu o encarava, ele desviava o olhar de imediato. E assim seguimos aprendendo alemão: ele me olhando e eu quando me sentia desafiada com os olhares, retribuía o olhar; mas ele neste momento parava de olhar.
Cheguei a pensar em flertar, sair e quem sabe beijá-lo, claro. Mas não saia do meu pensar, pois eu tinha em mim um sentimento de "Para quê? Nada dá em nada mesmo. A as pessoas não querem se aproximar de ninguém a não ser para magoar ou usar. Nem uma amizade. Nada! Ninguém se interessa por alguém que faça bem sem se preocupar em rotular de amor, paixão, amizade, bem estar ou bem querer." Na verdade, eu estava muito exausta. Eu não dava nada por mim há tempos. Preferia só aprender alemão e seguir meus objetivos. Aliás, esse sempre foi o meu plano.

28 de janeiro, quinta-feira, último dia de aula na semana. O único lugar vago na sala de aula era ao meu lado. Ele chegou atrasado. Sentou-se ao meu lado e um exercício em conjunto com todos os alunos nos fez interagir e conversar. 
Ao término da aula, conversamos mais e eu pedi o facebook dele. Não sei exatamente porque eu fiz, apenas surgiu naturalmente do meu impulso de sempre.
No fim da tarde no dia seguinte havia uma notificação de mensagem: era Uvi. No sábado, dia 30 de janeiro devido a repentina chuva caótica com muito vento, mudamos nosso local de encontro ao ar livre e nos encontramos as 14h30 na entrada do Schifffahrt Museum de Düsseldorf. E neste dia, conversamos tanto, mas tanto... e não queríamos terminar o encontro nunca! Era só para ser um encontro qualquer, conversarmos e nada mais (se rolasse algo mais, ok, mas não tínhamos essa intenção a princípio), só queríamos conversar (coisa que há muito tempo ambos não faziam). E então quando nos demos conta, estávamos fazendo um city tour pela cidade: cafeteria italiana, caminhada pelo rio Rhein, pela Königsalle; conhecemos a torre Rheintourm; jantamos na hamburgueria e por fim tomamos um vinho no Bar Cherrye onde ali, o primeiro beijo lá pelas 2h da manhã aconteceu. 
Chegamos em casa quase 8h da manhã após muita conversa e beijos. Então, calculando foram umas 16h juntos! Pessoas normais ficam apenas 3h em um encontro, não é mesmo? Pois é... alguém explica como foi possível tantas horas em um encontro porque eu não sei explicar e creio que nunca saberei.

27 de fevereiro. Após sairmos da cidade de Rattingen fomos a uma pizzaria italiana na qual um amigo nosso trabalhava. E eu estava com dores incômodas nas costas de sabe-se lá o quê e porquê. Uvi me olhava estranho e sempre perdido dentro do meu olhar. Tomou de 3 a 4 taças de vinho, e dizia que tinha muita vontade de beber vinho. Já estava achando engraçado. 
De repende escuto um "te quiero" (silêncio). Pergunto o que exatamente isso que dizer e ele me traduz "Ich liebe dich". Fico absolutamente surpresa, sem reação e ao mesmo tempo lisonjeada. Meu olhar fixo não desviava do olhar dele. Não disse. Precisei do meu tempo para digerir tudo aquilo que acabara de escutar. 
Dia seguinte meu playlist começou a tocar "eu não sei dizer te amo", do Frejat. E eu consegui entender cada palavra que o Frejat ali cantava. Pela primeira vez aquela música fazia total sentido para mim.
Dia 29 de fevereiro. Padaria Oehme. Um sentimento forte e inexplicável tinha desejo de libertar-se. Parecia que uma coisa enorme repleto de luz dentro de mim clamava para sair, mas por mais que eu tentava, as letras não conseguiam se formar, as palavras não saiam. 
Até que eu disse: "te amo" (pausa) "si, te quiero... ich liebe dich!". E a respiração de Uvi parou por alguns segundos... e o seu olhar estava admirado, brilhando, inacreditável.


E vai ver que o seu olhar fixo em direção a porta estava esperando alguém chegar mesmo. E esse alguém era eu. 

Vai ver esse encontro de 16 horas foi muito pouco para nós que estávamos esperamos a mais de 2 décadas.

E eu que passei a vida inteira tendo noção do que é namorar. E eu que pensei que saberia lidar com tudo isso quando chegasse minha vez, já que conhecia o que era namorar no Brasil e os homens brasileiros. E na verdade, de nada me adiantou ter observado tudo isso. 
Com você as minhas teorias nas discussões não funcionam muito bem. Meu observar de relacionamentos a vida inteira não adiantaram de nada. E nessa questão não é fácil, pois namoro alguém de outra cultura e pensamentos totalmente diferentes do que eu convivi durante anos. São mais sentimentos que tenho que lidar e aprender a vivenciar e com isso melhorar a convivência entre nós. 
É complicado não ter referência de namoros anteriores... ou talvez não, pois ter essa referencia poderia atrapalhar e me fazer tentar seguir o que eu já tive e não o meu presente: ter você comigo. Ou tudo isso que penso pode ser uma tremenda babaquice. 

O fato é: estamos a 7 meses juntos. São 7 meses que eu aprendo a não me amar mais "sozinha", que eu fico admirada o quão educado e justo você é conosco em estar sempre usando as palavras "por favor, de nada, desculpas, perdão". E melhor: me fazendo enxergar quando devo usar essas mesmas palavras no momento em que estou insuportável no meu ataque de orgulho e chatice. 
São 7 meses não prometendo nada, apenas sendo... sendo o companheiro um do outro.
E embora nos dê umas crises de identidade, insegurança, sentimentos incontroláveis e bem loucos por morar em um país que não é nosso, e por este fato ficarmos surtados um com o outro... eu sempre me lembro do seu olhar com a mão no queixo e cotovelo na mesa, ali, me olhando, me olhando... E depois me lembro que esse olhar continua o mesmo, e as vezes, até mais intensos. E sei que o meu olhar é verdadeiramente o mesmo para ti. 
E aí todo esse caos de sentimentos por estar na Alemanha passa e ficam apenas eu e você: nosso olhar, nosso amor e o máximo agradecimento por você existir. 





l|l| clavede_su |l|l|l|

segunda-feira, 18 de abril de 2016

s2

"... Que eres tu quien me revuelve, que eres tu quien me enamora,
tu quien me convierte en la mejor persona.
Y si tengo que gritarte lo que siento
Te digo que te quiero con tu suerte, con tu mieda
con pasado, con presente, con o sin enfermedad…"


|l|l| clavede_su |l|l|l|

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Für dich.

Seu perfume me leva a um confortável abrigo;
Sua risada de menino a um desejo: cuidar de você;
Seu sorriso faz meus olhos sorrirem;
E seu carinho... me traz a paz;
Em seu abraço, sinto uma grande proteção;
Deitar em seus braços me faz sonhar;
E suas frases surpreendentes me conquistam ainda mais;
Sua perfeita expressão verbal, sem medo, me fascinam;
E seu olhar, bem, seu olhar nos deixa as sós nesse mundo;
E seus beijos são capazes de me tirar de dentro de mim.
Fico perdida em seu perfume, sua risada, seu sorriso, seu carinho... seu jeito.
Fico perdida em seus olhares, beijos, braços e abraços.
E inexplicavelmente não consigo me encontrar novamente.
Me perdi aí... Me perdi em você.

Tu olor me lleva a un refugio confortable;
Tu risa de niño un deseo: cuidar de ti;
Tu sonrisa hace mis ojos sonreir;
Y tu cariño ... me trae la paz;
En tu abrazo, siento una gran protección;
Acostar en tus brazos me hace soñar;
Y tus frases sorprendentes me conquistan aún más;
Tu perfecta expresión verbal sin miedo, me fascinan;
Y tu mirada, bien, tu mirada nos dejan a solas en este mundo;
Y tus besos son capaces de sacarme de mí.
Me pierdo en tu olor, tu risa, tu sonrisa, tu cariño ... a tu manera.
Estoy perdida en los ojos, tus besos, tus brazos y abrazos.
Y inexplicablemente no logro en encontrarme de nuevo.
Me perdí ahí ... Me perdi en tu.

|l|l| clavede_su |l|l|l|

domingo, 21 de fevereiro de 2016

O encontro.

Uma brasileira, um desejo, um lugar.
Alguns anos, com uns tantos atrasos, e finalmente o realizar.
Aqui cheguei.  Aqui estou, estamos...
Quando começo a pensar como tudo aconteceu, sempre lembro-me do seu olhar fixo em mim, ali, tentando descobrir, - apenas ao olhar - de onde eu vim e o que eu faço neste país que não é nosso.
E logo eu que sempre expressava muito bem meus sentimentos escrevendo, não consegui por muito tempo o fazer novamente. E sabe, passaram-se 10 meses até eu conseguir escrever tais palavras nas quais eu escrevo agora; e por algum medo não estou conseguindo expressar verbalmente tudo que eu realmente sinto. Mas medo por quê? Diariamente minha palavra é “por que?”. Logo eu que conseguia descobrir os meus porquês rapidamente, atualmente sou uma covarde em descobrir as respostas.
Eu sempre desejei ter alguém que pudesse ser gentil comigo e olhar realmente para dentro de mim... agora que eu tenho, não consigo ser valente o bastante para deixar isso acontecer por completo. 
Certa vez você me disse que acha que eu tenho medo do fracasso. Entretanto o fato é que, eu já estou fracassando... e não é com você, mas sim, comigo mesma. E sabe, eu não quero isso pra mim. Não quero mesmo ser uma covarde dos meus próprios sentimentos.


Acho que eu me acostumei a ser tão independente e dar o amor que eu merecia para eu mesma, e agora ao ter alguém querendo e fazendo isso para mim, não sei como agir. Perdi-me de eu mesma. É como se... agora que você me encontrou e descobriu quem e como eu sou, eu não consigo me encontrar de novo. Eu estou perdida em seus beijos, olhares, carinhos e abraços. Perdi-me ai... em você.



|l|l| clavede_su |l|l|l|

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Soma.

Olhos vibrantes,
e o movimento dos olhares.
A fragrância, o cheiro.
O gesto, o caminhar, 
o charme, o jeito...
Dois corpos, ali.
E ao redor, o instante.

Qual é mesmo o nome?
Não sei.
Dar o nome limita, 
deixa-o vago. 
E os sentimentos... ah, os sentimentos são ilimitados!
Não tem quem os impeçam.
Chegam sem pedir, sem querer. 
A única permissão deles é entrar.
E adentram gentilmente educados,
irresistível conexão!

Atração! É attraction.
Atração não tem padrão, não há explicação.
Não é tesão, paixão ou enlouquecia ação...

Falam sem se falarem.
Sentem sem se sentirem.
Tocam sem se tocarem.

São almas ou corpos?
São vidas que encontram vidas.
Assim, de repente.
Assim, no acaso ou no destino,
na vida que completam vidas,
vidas que se intensificam.
Que sorri ao se sentir compreendida, acolhida.

Empatia.
Serenidade.
Ventura.
É o bem querer 
e o bem a me fazer.
O meu presente
A nossa presença...
Dois.

|l|l| clavede_su |l|l|l|

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Desconforto às escondidas.

Eu queria ter aspiração por família, romance, conhecimento ou sei lá quais as infinitas possibilidades, igual no The Sims: crie o seu personagem, seu signo e qual o seu objetivo a lutar por toda uma vida. Mas não, eu nasci assim, teimosa por realizar o raio do sucesso profissional!
Seria mais simples ter uma aspiração por romance, por exemplo. Está certo que eu seria um pouco depressiva nesta área, por que né... é uma área exaustiva. Enfim...
Eu não sei porquê todo o trabalho que eu venha exercer, me cobro demais (devido ser uma área desconhecida, e sendo assim, eu não quero parecer uma débil mental) e aí tenho a sensação bem real de estar sempre sendo observada e analisada em todo o segundo! E nessa fico me perguntando: será que quando eu finalmente for trabalhar na minha área profissional vou continuar desconfortável? Bom, creio que não, porém o medo existe. Imagina só, caminhei em uma estrada de pedras esse tempo todo e ao chegar no fim da estrada eu caio num poço profundo?!!!

Eu queria ter a praticidade que eu tinha antes na área da conquista, romance ou seja lá quantos nomes isso tenha. Entretanto, atualmente o que eu encontro é: eu esbarrando na trave sempre que cogito em fazer um gol. Trágico! 
E é patético. Patético ter o desejo dentro de mim, mas só ter, por que ele está lá... deitado lixando as unhas enquanto espera a sua série preferida começar. É exatamente assim que eu me sinto! Aí eu pergunto: como faz para tirar o desejo para dançar ao som do "conclua, beije, fique, aproveite este cara!"? Deprimente. Mais deprimente ainda por que, sinceramente, pela primeira (ou segunda) vez na minha vida, eu não quero de jeito nenhum alguém para namorar.

Eu queria perguntar para Deus: se todos nós temos um livre arbítrio, por que então por mais que eu queira, não consigo sair da situação que me enfiei? Como eu deixei? Quando aconteceu? Sério mesmo que eu deixei todos aqueles caras babacas afundar meu desejo deitado em um sofá lixando as unhas? 
Sério mesmo que criei barreiras no trabalho ao me deparar comigo mesma sendo séria com situações e pessoas que eu não preciso ser mais? 
Como volta 5 anos atrás e conserta tudo? Alguém tira a metade do escudo que carrego para proteger-me das pessoas? Esse escudo simplesmente aparece involuntariamente, não é possível!
Eu olho para aquela garota de 12 anos e sempre respondo: infelizmente, a menina de 12 anos está chorando com os acontecimentos desejados para a garota de 16 anos. E a mulher de 24, será que vai finalmente ficar feliz com a realização da mulher de 30? 

O fato é... permaneci muito tempo soltando o foda-se, não pensando e não querendo saber o que se passa comigo. E agora... bem, agora eu não faço ideia de como mudar! Pelo menos não em ações, embora vontade eu tenha. O que eu não tenho é animo. 
A sensação que tenho é de ser um boneco do judas todo surrado por dentro - apesar das pernas firmes para caminhar - e cheia de palavras para despejar sinceridades a fim de selecionar na humanidade somente as pessoas excelentes perto de mim, tendo em vista que não consigo mais suportar alguém me surrando por dentro! E sim, esse jeito de viver, no fundo, está acabando comigo. Eu nunca fui de sobreviver. É deprimente apenas sobreviver. Preciso viver o ruim, o bom, o talvez, o decepcionar, o surpreender... Eu preciso, mas... (pausa).
Está extremamente difícil eu conseguir dar uma pilula de ecstasy para o preguiçoso deitadão lixando pela milésima vez suas unhas. E aí, ao final disso tudo, eu me encontro com os olhos assustados, surrada, implorando para alguém me estender a mão e expulsar de dentro de mim o preguiçoso - praticamente adormecido - do sofá. 
Que expulsem o moribundo que aprisiona o meu desejo por flertes, romances, blá blá; o meu desejo por não ser tão séria em situações que eu não preciso mais; o meu desejo por parar de ser extrema demais a fim de afastar as pessoas ditas como males; e por fim, o meu desejo por não mais apenas sobreviver.


|l|l| clavede_su |l|l|l|